Cantor de Forró Pé de Serra e Locutor de Rádio,
Lila Borges
J.A : Qual a sua profissão como músico? Qual o seu estilo de música?
LILA BORGES : Bom dia para todos.
A minha profissão como músico é cantor, baterista e trianguista.
J.A : Qual o seu estilo? O meu estilo é forró pete serra.
J.A : Há quanto tempo você é músico?
LILA BORGES : Jonas, já tenho mais de 20 anos que sou músico.
Antes eu comecei a cantar em banda, já toquei bateria, já passei com diversas bandas.
E hoje eu tenho o meu próprio forró pe de serra, que chama-se Lila Borges e Tome Xote.
J.A : E o seu forró, o seu próprio, já tem quanto tempo?
LILA BORGES : O meu forró próprio já tenho quatro anos de estrada.
J.A : E como funciona o seu trabalho?
LILA BORGES : O meu trabalho funciona no forró pé de serra raiz, como o Luiz Gonzaga deixou.
Sanfona, zabumba e triângulo. O original e o puro forró pé de serra.
J.A : Em algum caso, como é que funciona essa questão de contratação, de viagem? É tudo por sua conta? É o contratante?
LILA BORGES : Bom, eu como sou o dono do trio, eu mesmo fecho contrato, eu mesmo tenho os meus músicos.
A única festa distante da nossa cidade que a gente tocou foi em Fortaleza,
onde na oportunidade tivemos uma oportunidade de tocar para um grande empresário lá da capital cearense,
no dia do aniversário do casamento dele. Foi uma fecha de arrombar.
J.A : Pronto, da sua área, o que você mais gosta de fazer?
LILA BORGES : Cantar.
J.A : Tem alguma música que marcou, alguma frase que marca como músico, como cantor?
LILA BORGES : Tem sim. A música do saudoso Luiz Gonzaga. Essa música chama-se... agora me deu um branco.
Todo o tempo, quando houver pra mim é pouco, pra dançar com o meu benzinho numa sala de reboco.
Essa música me marcou bastante, Jonas. Foi através dessa música que eu vim ter amor ao Forró Pé de Serra.
Eu, quando tinha os meus 12 anos de idade, eu tive o prazer de conhecer o Rei do Baião, Luiz Gonzaga.
. Luiz Gonzaga veio tocar aqui no Icó, na época essa festa chamava SEMIC.
E essa festa foi realizada dentro da antiga igreja São José, que hoje está toda reformada graças ao saudoso padre José Augusto.
A Semic era realizada dentro daquela igreja.
O meu saudoso avô, Geraldo Borges, me levou pra essa festa do Rei do Baião, Luiz Gonzaga.
E foi dali aonde começou a paixão pelo Forró Pé de Serra.
J.A : Na tua família tem mais alguém que toca também?
LILA BORGES : Não, na minha família não. Só teve eu mesmo, como músico.
J.A : Então tu começou esse gosto de cantar na parte dessa festa?
LILA BORGES : Através dessa festa. Daí foi onde eu me engagei.
A oportunidade foi me dada através do Gérson do Acordeon, que antigamente era Banda de Gêmeos.
Foi dali onde eu comecei, com meus 15 anos de idade. E de lá decolei.
Toquei, Jonas. A minha maior festa, que até hoje eu guardo na minha memória, foi no Chamegão de Cajazeiras.
Pra quem não conhece o Chamegão de Cajazeiras, é uma festa tradicional. São 30 dias de festa.
Essa festas são realizadas no mês junino.
Eu tive a oportunidade de cantar nessa festa, ao lado de Chicamaro e Banda Fonte Nova.
A festa do Chamegão, Jonas, é tão grande que dá dois forricós.
Cara, quando eu subi no palco, que quando eu vejo a multidão, ali eu tremi igual a Vara-verde.
O Sanfoneiro da banda Fonte Nova, o filho do Chicamaro, se eu não me recordo, o nome dele é Paquin.
Ele percebeu que eu estava um pouco nervoso. Claro, estava começando.
E nunca tinha visto a multidão daquela.
Aí ele chegou pra mim e disse, "eu estou vendo que você está nervoso.
Toma uma lapada aí, que você se anima no palco."
Ah, depois que eu tomei essa lapada, aí pronto. Aí foi show.
Eu nunca vou esquecer essa história.
Já cantei no forricó, na banda de gênios, que hoje é Forró de Categoria.
E já passei por diversas bandas.
J.A : Falando dessa questão do que você mais gosta, me fala um pouco da dificuldade de ser músico, de ser cantor.
LILA BORGES : A dificuldade hoje de ser músico, Jonas, é que infelizmente a cultura Cearense não ajuda os músicos Cearense.
Principalmente aqui na nossa cidade.
A cultura para dar oportunidade aos artistes da terra é zero.
Infelizmente.
J.A : E nas suas viagens? Tem alguma parte que você acha mais ruim?
LILA BORGES : Na nossa viagem, como é viagem perto, a gente vai até na nossa própria moto.
Agora quando é uma viagem mais distante, a gente arruma um carro.
E o preço desse carro já vai incluindo no contrato.
J.A : Por exemplo, quando você chega no show, qual o passo a passo que tu faz?
Tem uma música para começar? Tem um estilo musical certo para começar?
LILA BORGES : Temos sim. A gente tem um repertório onde a gente começa tocando xotes.
Em seguida, baião. E em seguida a gente encerra com a rastapé.
J.A : E geralmente dura quanto tempo o teu show?
LILA BORGES : O máximo três horas de shows.
O máximo três.
J.A : Repito, quem tu diz que toca o triângulo?
LILA BORGES : Eu toco o triângulo, toco bateria e sou cantor.
Triângulo, bateria e cantor.
J.A : Fala só um pouco como é que funciona o compasso do triângulo.
Ensina um pouco como é que toca o triângulo.
Fala por cima como é que toca.
LILA BORGES : Jonas, a questão do triângulo é você levar o ritmo da música.
Certo?
Onde você controla o triângulo é aqui na mão.
Abre e fecha. Abre e fecha.
É aí onde você controla o triângulo.
Dependendo do ritmo da música.
J.A : Tu já citou que Luiz Gonzaga é seu grande referência, né?
Tem mais algum cantor atual que seja sua referência?
LILA BORGES : Não.
Só Luiz Gonzaga.
Foi onde eu me inspirei bastante.
J.A : Tem alguma história, algum perrengue que tu passou com tua banda, com um cantor?
Alguma dificuldade assim?
Uma história engraçada, uma coisa que você gosta de contar.
LILA BORGES : Uma história engraçada, vamos lá.
Eu era baterista da banda Degênios.
Cantava e tocava bateria.
A gente foi tocar uma festa lá no sítio Água Branca,
aqui pertinho da nossa cidade.
Depois da meia-noite em diante,
o nosso baterista, que é mais conhecido popularmente como João do Alto,
ele pediu pra que eu pegasse a bateria um pouquinho pra ele poder descansar.
Quando eu terminei de cantar o meu repertório,
que quando o outro cantor começou a cantar,
cara, assim quando eu sentei na bateria pra começar a tocar,
era mais ou menos um palanque mais ou menos de um metro de altura,
a cadeira da bateria estava mesmo no beicinho do palanque,
que eu não percebi.
Quando eu sentei na cadeira da bateria,
cara, eu arreiei pra trás com bateria e tudo.
Acabou o show.
Cara, eu passei uma vergonha nesse dia,
que eu nunca mais esqueço desse fato lamentável que aconteceu comigo.
J.A : Mas de fato parou o show? Parou, né?
LILA BORGES : Teve que parar, né?
Teve que parar pra poder levantar a bateria e prosseguir.
E eu prossegui, não tive vergonha, não.
J.A : Pronto, em relação à vergonha,
tu falou já que subiu no palco com vergonha,
mas como é que tu lidar com essa questão da ansiedade, da timidez que tá na frente do público?
LILA BORGES : Logo no início, Jonas, todo mundo senta aquele friozinho na barriga, aquele tremor.
Foi o que passou comigo.
Mas hoje não, hoje eu encaro o público de maneira natural.
E isso a pessoa vai se acostumando com o tempo.
J.A : Você não vive apenas de músico, né?
LILA BORGES : Não, não.
É um extra.
J.A : No momento que você é locutor da rádio Icó FM e também narrador de esporte
J.A : Pronto, fala um pouco da tua profissão de rádio.
LILA BORGES : Pronto, a minha profissão de rádio é outra profissão, Jonas,
que eu sempre desejava ser radialista.
Eu, aos meus 15 anos de idade, eu era um fã assíduo do rádio.
Eu tinha um rádio, não sei se você chegou a ver, um motorradio.
Esse rádio pegava rádio até do Rio de Janeiro e de São Paulo.
E eu era ali sintonizado direto nesse rádio.
E aquela vontade, aquele sonho de um dia ser radialista.
Até que um dia a Icó FM abriu as portas e me deu essa oportunidade de ser radialista.
Comecei aqui na Icó FM com o programa à noite.
Da noite passei para o programa da manhã, onde estou até hoje, há 20 anos aqui na Icó FM.
LILA BORGES : Pronto, eu também sou um narrador esportivo.
Um narrador esportivo que eu sempre me inspirava é o...
O que foi?
Se olhar, você não parou.
Um narrador esportivo que eu sempre me inspiro até hoje é o Carlos Borges, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
Foi através dele que eu comecei a inspirar e hoje sou narrador esportivo.
Amo o esporte e infelizmente o nosso município não tem total apoio aos esportistas.
J.A : Em relação a essa questão de incentivo cultural, tanto a questão do esporte quanto da cultura é meio que vai ter que ser escassa, é desorganizado.
LILA BORGES : Com certeza, porque a verba vem todas as vezes.
J.A : Eu acho que é que a gente tem falta de organização, porque tanto aqui quanto nas cidades vizinhas, que eu estava olhando, o pessoal tem muito artista que não sabe o que está acontecendo.
Porque às vezes o conhecimento fica só num local, só para complementar.
LILA BORGES : É verdade, mas tem várias cidades que dão oportunidade tanto aos artistas como aos esportistas.
É verdade, mas tem várias cidades que dão oportunidade tanto aos esportistas como aos músicos.
J.A : Pronto, eu acho que é mais organizado.
Lila, falando de rádio, por exemplo, hoje, era até uma pergunta que eu cheguei a te perguntar, mas como é que você acha que está a situação da rádio?
Só complementando a situação, como era a rádio hoje e que você acha que era dez anos atrás?
Para você fazer um comparativo.
LILA BORGES : Olha Jonas, logo quando eu entrei aqui na rádio, a rádio nos dava mais oportunidade para trabalhar.
Hoje, infelizmente, a gente encontra dificuldades em termos de propagandas, em que infelizmente o comércio não valoriza o seu trabalho.
E em termos de salário, infelizmente nós aqui da Icó FM não somos salariados.
.
J.A : Alguma das coisas que eu percebo é que tem rádio demais, só que eu não sei se o pessoal escuta tanto a rádio como antigamente.
O que você acha? Escuta como antes, diminuiu?
LILA BORGES : Diminuiu bastante depois da internet, porque hoje a febre é a internet.
J.A : Você acha que isso foi bom ou ruim para a rádio? Essa questão dessa modernização da internet?
LILA BORGES : Melhorou bastante para a rádio, melhorou bastante.
Mas através de propagandas como a gente trabalha, diminuiu bastante.
Porque o comércio hoje faz a sua divulgação em redes sociais.
Só a própria divulgação.
Não paga nada.
E foi aí que infelizmente a queda de patrocinadores através dos programas de rádio caíram.
J.A : Eu também acho que a tecnologia ajuda muito por um lado, a gente expandiu demais.
Mas por outro, limita muito principalmente o pequeno locutor, a pequena rádio, porque a concorrência ficou muito grande.
LILA BORGES : Principalmente nós locutores que não somos salariados, que viva através do patrocínio.
J.A : Porque hoje o pessoal lá, por exemplo, também tem a limitação da cidade.
Tem três rádios, aí já fica mais limitado para a questão de apoio.
LILA BORGES : Com certeza, infelizmente.
J.A : A questão do que você... fala um pouco da tua vida como pai. Tu é casado e pai de...
LILA BORGES : Sou casado, sou pai de dois filhos e tenho uma neta de cinco anos.
A família é a base de tudo.
Hoje, graças a Deus, eu vivo bem com a minha família.
Já vem chegando outro netinho aí, a família, graças a Deus, está aumentando.
E bola para frente.
J.A : Tem alguma frase lá, algum pensamento que tu gosta de usar?
LILA BORGES : Agora você me pegou.
Quando a internet estiver, algo que tu recorda.
Como assim?
LILA BORGES : Eu sou da cultura, eu levanto a bandeira para a cultura.
E viva o Forró Nordestino.
ENTREVISTA 01/02/2024 POR J.A