Antônio Gonçalves da Silva,
Patativa do Assaré

Patativa do Assaré (1909-2002) foi um poeta e repentista brasileiro, um dos principais representantes da arte popular nordestina do século XX. Com uma linguagem simples, porém poética, retratava a vida sofrida e árida do povo do sertão. Além de seu engajamento artístico, o poeta apoiou movimentos sociais, como as Ligas Camponesas, a resistência à ditadura militar e as Diretas Já.
Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, nasceu na Serra de Santana, a 18 Km da cidade de Assaré-CE (21.697 habitantes). Assaré é um município cearense localizado a 623 Km de Fortaleza, fundado em 1911, “antigo desvio do caminho das boiadas dos Inhamuns para o Piauí”. Patativa nasceu em 5 de março de 1909, falecendo no dia 8 de julho de 2002,às 18 hrs:30 min, com 93 anos, enterrado no cemitério São João Batista, na sua cidade natal . Filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva, foi o 2° dos 5 filhos dos agricultores. Perdeu a visão do olho direito ainda quando criança, "no período da dentição (1913)" em consequência do sarampo . O pai, que também era poeta, morreu no dia 28 de Março de 1917, quando Patativa tinha oito anos. A partir deste momento começou a trabalhar na roça para ajudar no sustento da família.
Com a idade de 12 anos, Patativa do Assaré frequentou uma escola e durante quatro meses aprendeu a ler e se apaixonou pela poesia. Foi alfabetizado por meio do livro de Felisberto de Carvalho, que da infância ficou-lhe como fonte inicial de todos os saberes.
Felisberto de Carvalho nasceu em 1850 e além de professor, jornalista e músico, foi autor de inúmeros livros didáticos. Mesmo após seu falecimento, em 1898, seus livros foram reeditados, sendo utilizado por mais de 70 anos.
Com 13 anos começou a fazer pequenos versos. Por volta de 1925, depois de ouvir uma cantoria, pediu a sua mãe que vende-se uma cabra que possuía e, com o dinheiro, comprasse uma viola, com a qual começa a fazer cantorias na região da Serra de Santana.
Com vinte anos, Patativa do Assaré começou a viajar por várias cidades do Nordeste e diversas vezes se apresentou na Rádio Araripe do Crato, no programa de Tereza Siebra Lima, oportunidade em que foi ouvido pelo filósofo José Arraes de Alencar, que se encontrava visitando a família, na cidade do Crato e que o ajudou na publicação de seu primeiro livro, “Inspiração Nordestina” (1956), no qual reuniu vários poemas. Continuou suas viagens e foi para o Pará em companhia de um parente, José Alexandre Montoril, que lá morava, onde fez cantorias com outros cantadores em colônias e assentamentos de migrantes nordestinos. Em Belém, é batizado pelo escritor José Carvalho de Brito com o sonoro nome de Patativa do Assaré.
De volta em Fortaleza CE, foi recebido na Casa de Juvenal Galeno, teve o privilégio de conhecer o poeta das “Lendas e Canções Populares”, já bem idoso e próximo da morte. Patativa do Assaré foi um poeta e repentista brasileiro, um dos principais representantes da arte popular nordestina do século XX.
(Juvenal Galeno da Costa e Silva - Fortaleza CE. 27/09/1838 - 07/04/1931. É considerado o fundador do primeiro jornal puramente literário no Ceará. Escreveu numerosas poesias assim como a Obra Crítica: Lendas e Canções Populares.)
Fazendo um adentro do que a profissão de Patativa, para melhor compreende a importancia do poeta na sociedade. A cultura dos repentistas de viola, cantadores repentistas, improvisadores dentre outras mais denominações é presente até os dias atuais. Consiste principalmente na arte do improviso, sendo acompanhado pela sonoridade da viola nordestina de 7 cordas. A companheira fiel de todo cantador, tem como característica o som estridente, facilitando o poeta cantador alcançar tons mais agudos. A base da toada do cantador segue algumas modalidades existentes no mundo da cantoria.
A mais comum seria a sextilha, que consiste em uma estrofe de 6 linhas. Mas existe o Galope a Beira Mar, Amarre o Boi no Pé de Cajarana, o Voa Sabiá do Galho da Laranjeira dentre outros. A Sextilha consiste em um conjunto de 6 linhas/frases, em que a 2° linha, deve rimar com a 4° e a 6°. E se o cantador estiver em dupla, ou seja, cantando com outro cantador/parceiro, que é o mais habitual, a 1° linha do parceiro, deve rimar com a 6° linha do verso que foi cantado anteriormente por seu companheiro de viola, seguindo um ciclo, de alternância de estrofes de cada cantador, onde um canta uma estrofe enquanto o outro fica matutando o seu verso, já sabendo que o final da sua 2° linha deve ter.
Normalmente dura de 5 a 10 minutos de sextilha. Onde o tema é variável/diverso, dependendo de tudo ao seu redor. Os temas contidos na rima dos cantadores vão desde sentimentos a questões políticas, acontecimentos diários a fatos históricos e tudo isso com grande agilidade na hora do improviso.
Geralmente os cantadores se apresentam em duplas e cantam no horário da noite, apesar das exceções. Onde o evento em si recebe o nome de cantoria pé-de-parede, assim denominadas as cantorias tradicionais. Uma vez que acontecem ao pé da parede da casa do promovente, onde a dupla acomoda suas cadeiras e equipamentos como luz e som, tendo o terreiro da casa do promovente como público e palco ao mesmo tempo, dando um aspecto de proximidade/familiaridade típica da cantoria.
Além da presença do repente/improviso, a cantoria também contempla a poesia das canções, onde sua grande maioria tem uma base sentimental, usando os sentimentos relacionados a questões amorosas, casos transformados em poemas e cantados na toada na viola nordestina. A poesia, marca presente na cantoria, tem como base o embelezamento/encantamentos dos sentimentos e fatos narrados, mostrando a intelectualidade contida em uma modalidade da cultura, muitas vezes menosprezada pela sociedade.
A arte de falar de fatos diversos de forma improvisada, apresentar esses fatos em forma de música(repentes e canções), trazendo tudo isso com nelodia e poesia, é o que torna a cantoria algo tão peculiar.
Ainda voltando sobre a caminhada de Patativa,na década de 1930, quando Patativa fazia suas apresentações na sua região, época que marcou a história do Brasil com convulsões sociais e grandes mudanças politícas. Na literatura, o romance regional mostrava as feridas sociais da nação brasileira, com autores como Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, Jorge Amado, José Américo de Almeida e José Lins do Rego.
Em 1932, vendo imensos sofrimentos e tragédias das famílias retirantes, compôs um dos mais belos e pungentes poemas já escritos na língua portuguesa: A Morte de Nanã.
Patativa do Assaré casou-se na Serra de Santana, no dia 6 de Janeiro de 1936, com Belarmina Paes Cidrão(D. Belinha), que morava em um sítio próximo. Tiveram 14 filhos, dos quais sobreviveram 7: 4 Homens e 3 Mulheres: Afonso, Pedro, Geraldo, João Batista, Lúcia, Inês e Miriam.
Em 1925, a Coluna Prestes varava o Brasil e anunciava tempos de justiça e de liberdade. E o cego Aderaldo já despontava como um dos mais importantes cantadores do Brasil.
Entre 1930 e 1955, Patativa permaneceu na Serra de Santana, época em que compôs a maior parte de sua poesia.
Em 1943, acusado de desacato à autoridade, por conta de um poema satírico intitulado “Prefeitura sem Prefeito”, é preso, mas solto logo em seguida por força de seus seguidores.
Por volta de 1953, durante a grande seca, Patativa cria o poema “Triste Partida”, que se tornaria popular, cantando ao som da viola, falando fuga do nordestino ao sul do país, em busca de dias melhores. Seria gravada pelo rei do Baião, Luiz Gonzaga em 1964.
O poeta recebeu títulos de “Doutor Honoris Causa” de destacadas universidades nordestinas e teve seus poemas traduzidos em vários idiomas.
Os livros de Patativa do Assaré foram traduzidos em diversos idiomas e seus poemas tornaram-se temas de estudo na Sorbonne, na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel.
Gravou seu 1° LP Poemas e Canções(1979) uma produção do cantor e compositor cearense Fagner. Apresentou-se com o mesmo no Festival de Verão do Guarujá(1981), período em que gravou seu 2° LP A Terra é Naturá, lançado também pela CBS.
Muitos dos poemas de Patativa do Assaré tratavam de temas sociais e políticos, especialmente a dura realidade do sertanejo nordestino.
Livros (principais obras):
- Inspiração Nordestina - 1956
- Inspiração Nordestina: Cantos do Patativa −1967
- Cante Lá que Eu Canto Cá - 1978
- Ispinho e Fulô - 1988
- Balceiro. Patativa e Outros Poetas de Assaré - 1991
- Cordéis - 1993
- Aqui Tem Coisa - 1994
- Biblioteca de Cordel: Patativa do Assaré - 2000
- Balceiro 2. Patativa e Outros Poetas de Assaré - 2001
- Ao pé da mesa – 2001
Poemas
O passarinho que canta poesia
A Triste Partida
Coisas do Rio de Janeiro;
Meu Protesto;
Mote/Glosas;
Peixe;
O Poeta da Roça
Apelo dum Agricultor
Se Existe Inferno
Vaca Estrela e Boi Fubá
Você se Lembra?
Vou Vorá
Aos poetas clássico
Caboclo Roceiro
Fontes de Pesquisa
https://web.archive.org/web/20110810182825/http://www.revista.agulha.nom.br/anton.html - 07/07/2024
https://www.infoescola.com/biografias/patativa-do-assare - 07/07/24
https://www.ebiografia.com/patativa_assare/ - 07/07/24
https://www.suapesquisa.com/biografias/patativa_assare.html - 07/07/24
https://pt.wikipedia.org/wiki/Patativa_do_Assaré - 07/07/24
https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/geral/audio/2024-03/historia-hoje-patativa-do-assare - 07/07/24
https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/385447 - 07/07/2024
COSTA, Keilla Renata.”Antônoi Gonçalves da Silva”; Brasil Escola. Disponível em : https://brasilescola.uol.com.br/biografia/patativa-do-assare.html - 23/05/24
PESQUISA REALIZAZADA ENTRE 01/05/2024 - 20/07/2024 POR J.A